Informativo

Do Centro ao Movimento - Prof. Ricardo Kanashiro


O que é mais importante aprender nas artes marciais? Defender ou atacar?

  A defesa é certamente muito importante no processo de aprendizado de qualquer técnica de arte marcial. Porque ela nos permite reconhecer os limites do nosso corpo e área sutil que nos rodeia. Afinal é a nossa integridade física que devemos defender. Aprendendo, assim, a perceber o que é que nos tira do eixo, ou seja, do nosso estado de harmonia e serenidade. Que é o mais natural. Não natural é viver em constante tensão e ansiedade, com medo de sofrer, ser agredido ou maltratado de qualquer forma.

  O ataque também é importante, porque nos ajuda a perceber do que somos capazes. Aprendendo a descobrir e desenvolver as nossas habilidades pessoais. Com o treinamento de atacar e golpear nos conscientizamos do que e quanto podemos expressar através de nosso corpo.

  Mas isso tudo é o mais superficial, do que a arte marcial, como caminho, pode oferecer. Na verdade, o aprendizado das artes marciais é muito mais profundo. As defesas, por exemplo, nos ensinam a colocar limites nas nossas coisas. A poder dizermos que não é isso o que queremos, que não precisamos aceitar tudo o tempo todo. Sem que para isso precisemos ser agressivos. A agressividade ocorre quando os limites não foram respeitados. Então a reação vem com mais força. Os ataques nos mostram a irmos buscar o que queremos, aprendendo que temos os recursos para seguir em frente e persistirmos ao nosso caminho. Com o treinamento, vamos desenvolvendo a concentração, dedicação, objetividade e a persistência. Elementos mais do que importantes para o nosso dia-a-dia. Aprendemos a reconhecer o que queremos e a nos encaminhar em direção ao objetivo.

  Se tentarmos aprofundar mais um pouco na pergunta, diria que na verdade nada disso importa realmente. Porque o que a arte marcial tem de mais importante a nos ensinar nos dias de hoje é conhecermos a nós mesmos. E a viver em harmonia com toda a natureza. Não vencendo, não perdendo. Mas aprendendo a dar-nos o máximo do que temos, sem dúvidas nem receios. E aprendendo a receber, sem críticas e nem malgrados. Atacar ou defender, poderiam ser substituídos por dar, oferecer e receber, acolher.

  O verdadeiro caminho marcial dos nossos tempos, não é contra nada nem ninguém fora de nós mesmos. Mas sim contra o nosso próprio egoísmo, e dúvidas de quem realmente somos e podemos fazer.

  Devemos aprender a respeitar-nos, aos outros e à própria natureza. Doando-nos totalmente, para podermos usufruir do melhor que ela nos pode dar.

  A todos os artistas marciais, treinem, mas realmente treinem com afinco para podermos realmente aprender o que ela pode ensinar. E descobrir que isso não lcm nada a ver com bater e apanhar.

FEPAI - Federação Paulista de Aikido - 2008 - Designer: kátia numakura